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A IA tem causado alvoroço também na área médica. A turma da neurociência, das mais assustadas...




A nossa central de inteligência está espalhada por todo o corpo. A ciência jamais irá decifrar o cérebro enquanto se limitar ao crânio. A cabeça é apenas um dos lugares da inteligência. Esta é minha ousada teoria na ciência da auto observação.


Outro dia ouvi um grande cientista brasileiro, assumido “cérebro centrista”, admitir que a ciência sabe mais do universo do que do cérebro humano. Ele admite a impotência com misto de angústia, encantamento e certa vaidade - tipo, o meu objeto de estudo é mais complexo que o universo.


A astronomia e a astro física sabem mais porque há muito assumiram sua insignificância e deixaram de enxergar uma central de comando no universo. No passado longínquo era a Terra. Depois o Sol. Depois descobriram varios sóis e milhões de galaxias. A ciência dos céus deixou o centrismo e abriu o leque, expandiu a mente.


A ciência do cérebro humano ainda não expandiu, não assumiu sua insignificância para sair do centrismo. Sair do alto do corpo, a cabeça. Deixar a crença secular de que o poder vem de cima, desse lugar onde teoricamente está a mesa de controle de todos os movimentos, sensações, memórias, criatividades, conexões, alegrias e tristezas.


Nós não funcionamos como cérebro centristas, não giramos em torno dessa Terra nem temos um único sol. Somos réplica absoluta do universo de estrelas e planetas. Para mim, tão óbvio. Falta à ciência médica, à neurociência descer do pedestal e admitir que nosso universo não tem centro.


Mas entendo essa dificuldade. Admitir significaria perder o status de neurociência, dividir os méritos com as demais ciências que feudalizam o corpo. Sim, nosso corpo é dividido em feudos e seus senhores feudais são os especialistas. É uma afronta, absoluta falta de ética um cardiologista, por exemplo, invadir o feudo do neurologista e vice-versa. É guerra!


O CORPO MERCADO


Enquanto o universo dos céus é estudado por astronomos, físicos e astrofísicos, o universo do corpo humano é destrinchado por um vasto sistema feudal de especialidades médicas, além de biólogos, químicos, dentistas, psicólogos, terapeutas, fisioterapeutas…

O corpo como grande mercado de capitais, shopping center orgânico, uma mina disputada com fúria pelo capitalismo, desde a moda à medicina.


Todos têm limites nesse uso dos feudos. Ficando apenas na medicina, o cardiologista é limitado a uma área, o gastro a outra, o neuro, o pneumo, o pediatra, o nefro, o psiquiatra, o dentista, o físio… por fim o clínico geral. Considerado generalista, patinho feio da profissão, único sem pedigree, o médico clínico é hoje quase descartável com a chegada da nova especialidade, a Inteligência Artificial.


A IA tem causado alvoroço também na área médica. A turma da neurociência, das mais assustadas, rapidamente tem se manifestado sobre os limites da IA. “A Inteligência Artificial não é inteligente”. O que está por traz dessa negativa? A defesa de mercado.


Significa dizer que a inteligência humana é hoje um feudo ameaçado por invasores além mar difíceis de combater. A IA não tem a perspicácia humana, o poder de criar, de imaginar, mas tem capacidade de acumular tanta informação e conhecimento que inteligência humana alguma conseguiria acumular em séculos.


Por uma dessas falhas na matrix, uma ironia do sistema, a IA pode levar a neurociência à terrivel conclusão de que a inteligência não está nem no cérebro nem no corpo. Está fora dele, está na “nuvem”.

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