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CHUVA, TRAGÉDIAS E MADONNA. VIDA QUE SEGUE?

Atualizado: 24 de jun.




Uma psiquiatra brasileira residente no Canadá resolveu ajudar os traumatizados gauchos da recente tragédia da chuva. A ideia era juntar apenas vinte psicologos para atendimentos gratuitos. Lançou a ideia no twitter X. Em três dias tinham 3.870 voluntários. Com tanta gente, a iniciativa flopou.


O processo foi barrado. Por melhor que fosse a boa vontade, havia regras a ser seguidas. Nem todos estavam habilitados para atender casos complexos de traumas e não haveria tempo para treinar tantos profissionais para a situação específica.


Mas há sim uma bondade ativa, legiões de pessoas generosas, solidárias espalhadas pelo país e pelo mundo. São essas vibrações elevadas que neutralizam maldades e ainda evitam as catástrofes iminentes. Porque tudo é iminente, tudo por um fio. Guerras, pestes, terremotos por um fio, vulcões, tempestades, inundações por um fio. A morte por um fio rondando humanos, animais e a natureza.


Alguns desses fios são por ajustes do planeta, acomodações de placas, reconfigurações milimétricas. Mas a maioria é por obra dos humanos, do imenso desleixo, dos negacionismos e da olímpica soberba. E todos pagam porque a ignorância inunda tudo mas afoga os mais fracos.


As consequências da chuva no Rio Grande do Sul, a maior catástrofe ambiental do estado e uma das dez maiores do mundo, estavam por um finíssimo fio há pelo menos dez anos. Mais recentemente, em 2019, o então governador Eduardo Leite, do PSDB, decidiu devastar o suado código ambiental alterando para pior quase 500 pontos. O que ele fez? Afinou o fio da tragédia, preparou o terreno para a catástrofe.


O político negacionista ambiental incentivador do negacionismo galopante na população, causou um mal tão absurdo ao estado cujos impactos vai sentir em meses e anos. A maldição do individualismo, da falta de empatia, da arrogância desses que vestiram o verde e amarelo para tramar contra o próprio país. Costumo falar da reciprocidade da natureza, aqui faz, aqui paga, causa e efeito. Nada disso é acaso ou puro capricho das águas.


Há pouco mais de 45 dias, a CCJ da Câmara gaúcha aprovou projeto para desmatar 48 milhões de hectares de campos nativos, afinal o agronegócio precisa crescer mais. O relator foi o deputado Lucas Redecker (PSDB) aliado do governador. Outro dado revoltante é que o governo foi avisado semanas antes da forte chuva que viria e não deu a mínima atenção. Haveria tempo para evacuar cidades inteiras e salvar pessoas e bichos.


Mas como a natureza não tem escolhidos, o próprio agro foi alcançado pela catástrofe. A produção de suinos, aves, ovos e gado leiteiro foi atingida. As lavouras de arroz, milho, soja, cenoura, batata e tomate foram inundadas. Mas quer saber, eles não aprendem. Aumentam os preços e em mais algumas semanas, tudo estará superado por novas tragédias, novas distrações.


O esquecimento é uma capa de defesa do grande público. Ninguém quer sofrer com as misérias alheias, há um amplo estoque de tragédias pessoais em cada família. O genocídio em Gaza, os mortos na Ucrânia, as matanças no Iemen, os 700 mil da covid-19 e tantas outras catástrofes estão nas lixeiras virtuais. Deleta-se e passa adiante porque vêm mais barbáries para a audiência. Muito mais. Uma pior que a outra. Enquanto isso, divirtam-se com Madonna em único show no Rio com investimento de 60 milhões de reais. Vida que segue.

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