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Nem só de Brasil vive o Carnaval

Atualizado: 17 de abr.

Por: Rosana Andrade


O Carnaval de Torres Vedras aconteceu de 09 a 14/02/2024. Cerca de 450 mil foliões estiveram nas ruas da cidade para participarem nas festividades carnavalescas torrienses.



O Carnaval é comemorado em várias partes do mundo, no frio, no calor, com máscaras, fantasias, sátiras, protestos, carros alegóricos, música, dança e muita animação. 

Eu sou soteropolitana, foliã de muitos carnavais. Por uma coincidência boa do destino, vim parar na cidade de Torres Vedras, no distrito de Lisboa, onde tem o quê? O Carnaval mais famoso de Portugal. 


Apesar de haver registros de referências ao Carnaval da cidade desde 1574 a festa de forma organizada e continuada começou a ser realizada a partir de 1923, com o início linhagem real, a princípio apenas com o Rei e em 1924, o Carnaval de Torres Vedras passou a contar também com uma Rainha. As celebrações do centenário foram iniciadas no ano passado.

Sabe aquele burburinho de todo início de ano com os ensaios, planejamento com os amigos para os blocos, fantasias, abadás, etc? Em Torres Vedras tem tudo isso. Apesar de uma influencia brasileira, principalmente nas músicas tocadas, existem  peculiaridades nesse que é “Um Carnaval de pessoas feito para pessoas... sem barreiras físicas, onde qualquer um pode participar e se integrar aos corsos” como ressaltou o Sr. Ruy Penetra, presidente da Promotorres, empresa municipal que é responsável gestão de equipamentos e a organização de eventos na cidade.


A festa recebe a cada ano cerca de meio milhão de pessoas, vindas de todas as regiões do país. Ruy Penetra acredita que esse número seja superado este ano e ressalta que o ”Carnaval de Torres Vedras faz-se desta participação popular, um carnaval de rua, em que toda a gente pode fazer parte da festa. Nós aqui não temos barreiras físicas, arquibancadas, não temos camarotes, toda a gente pode integrar o corso, brincando como desejar, respeitando sempre o próximo”.


Pré-Carnaval

Assim que acabam os festejos de final de ano, a cidade já vira a chave e os preparativos são iniciados. Uma das atividades são os “Assaltos de Carnaval” que no início, eram programações de divertimento entre famílias, nas quais, os participantes fantasiados, invadiam uma determinada casa, estes eram secretamente autorizados por um membro da família a ser “assaltada”, normalmente a matriarca, levavam comida, doces e bebidas e festejavam até que acabasse a comida, bebida e o equilíbrio das pernas. Hoje em dia são festas e desfiles promovidos para começara a esquentar as comemorações. Além dos assaltos, são promovidas também, exposições, oficinas de fantasias e máscaras, dentre outras.


Tradições dos festejos

Desde muito pequenos os torrienses já interagem com a festa, as instituições de ensino organizam o Corso Escolar (desfile), onde cada turma elege um tema ligado ao tema principal, que este ano é “Carnaval do Futuro”, esta é a primeira atividade do período carnavalesco que acontece na sexta-feira.


Ainda na sexta, acontece o Baile de Máscaras Tradição e mais tarde o ponto alto da festa com a chegada e entronização dos Reis do Carnaval, que marca o início do período carnavalesco, baseando-se numa inversão dos poderes sociais: através da leitura de um discurso satírico e da entrega das chaves da cidade pela presidente da Câmara Municipal a Suas Altezas Reais. Daí pra frente somente alegria, diversão. 





A programação segue com Corsos Noturnos e Diurnos, Concurso de Grupos de Mascarados, Concursos de Matrafonas (falo já delas) e é finalizada com o Enterro do Entrudo na quarta-feira.


Sobre o Enterro do Entrudo

Na tradição portuguesa o Entrudo, em resumo, era o período que antecedia a quaresma e no qual era permitido o livre consumo de carne e realização de festejos. Na sua origem, esta prática ritual (designadamente o julgamento e a queima do Entrudo) visava a punição dos pecados, a expurgação e purificação da comunidade. O boneco começou por ser feito em palha, como os bonecos tradicionais. 


Atualmente, o Enterro do Entrudo tem início com um cortejo fúnebre que parte do Centro Histórico da Cidade e termina em frente ao Tribunal. Segue-se o julgamento do Rei do Carnaval de Torres Vedras e a leitura do testamento, fortemente caracterizados pela crítica política e social.


O momento culmina na condenação do Rei à morte, simbolizada pela queima do boneco que o personifica. Após a leitura do testamento, o carrasco acompanha o Rei até à Praça da Liberdade, onde irá decorrer a queima do entrudo. O boneco é incendiado e termina com fogos de artifício.


Símbolos do Carnaval

A tradição da festa se perpetua durante os seis dias de festejos, através dos seus símbolos como as máscaras, fantasias, cavalinhos (bandas), associações carnavalescas, carros alegóricos, os cabeçudos e Zés Pereiras, que desfilam e divertem quem vai ao circuito. Sem falar de uma turma que ganha destaque pelas plumas, paetês, casacos de pele e muito deboche As Matrafonas. 


Origem das Matrafonas

Mas, o que é uma Matrafona? Originalmente um homem vestido de mulher, mas que queria parecer um homem. É uma tradição que foi sendo transmitida através das gerações. Sua origem da vem do uso da fantasia, enquadrando-se na inversão de papéis entre o género masculino e feminino, testemunho da inversão e transgressão da ordem social, típica do Entrudo.


A tradição oral também diz que o homem se vestia de matrafona para ridicularizar e protestar sobre o facto de as mulheres não poderem brincar ao Carnaval e para fazerem críticas sociais sem serem reconhecidos. 

A primeira Rainha Matrafona foi eleita em 1924.


Nos dias que antecedem o Carnaval, elas começam a brotar pela cidade, seja para comprar seus trajes, dar entrevistas ou participar de eventos de divulgação da festa.


E essa tradição é passada de geração em geração, em um desses eventos, encontrei Tiago Vinagre e seu filho de 5 anos, Romeu Vinagre que desde os 2 anos vem com o pai para a festa. Tiago faz parte do grupo as Lúmbrias, uma das associações existentes e também participa desde criança. 




Muitas lojas da cidade selecionam peças durante o todo ano para que as matrafonas montem seus looks, a exemplo do Brechó Escolhido a Dedo, que fica no Centro Histórico. A proprietária Carla Vicente, conta que neste período a loja fica bastante agitada com os clientes que vem em busca de novidades para as fantasias. “Já vestimos algumas vencedoras do concurso”, ressalta ela.


Enfim, eu claro participei de tudo e tirei muitas fotos para que vocês possam ter noção de como as coisas acontecem por aqui. Quanto a minha saudade do Carnaval da minha terrinha, espero que seja abrandada pelas músicas baianas que são grande parte do repertório da festa daqui.


Com o fim do Carnaval deste ano sob o tema “Carnaval do Futuro”, também é o término das comemorações do centenário do evento.








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